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"Chamai! Não tenhais medo de chamar!"

"Chamai! Não tenhais medo de chamar!" Com este imperativo veemente e com estas palavras fortes, o Beato João Paulo II, nos mandava “chamar”. "Cristo, que mandou pedir trabalhadores para a messe, também chamou. Ele mesmo, pessoalmente. As suas palavras de chamamento estão conservadas no tesouro do Evangelho. ‘Segui-me, e farei de vós pescadores de homens’ (Mt 4,19). ‘Vem e segue-me’(Mt 19,21). ‘Quem quiser pôr-se ao meu serviço, que me siga’ (Jo 12,26). Essas palavras de chamamento estão confiadas ao nosso ministério apostólico e nós devemos empenhar-nos em fazê-las ouvidas, como as demais palavras do Evangelho, ‘até as extremidades da terra’(At 1,8). É vontade de Cristo que as façamos ouvir. O Povo de Deus tem o direito de as ouvir de nós (...) Ele chama por meio das nossas pessoas e das nossas palavras. Por conseguinte, não tenhais medo de chamar. Descei para o meio dos vossos jovens. Ide pessoalmente ao encontro deles e chamai. Os corações de muitos jovens já estão predispostos para vos ouvir. Muitos deles buscam um objetivo para a sua vida; encontram-se na expectativa de descobrir uma missão que tenha valor, para a ela consagrar a vida. E Cristo já sintonizou com o seu apelo e com o vosso. Nós devemos é chamar! O resto o Senhor fará"! (Mensagem do Papa João Paulo II para o XVI Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 6 de Janeiro de 1979).

Diante do exemplo de Jesus e diante das nossas várias experiências já vividas, entenderemos melhor a força das palavras do Papa João Paulo II: chamar sem medo. “Chamar” é a atividade decisiva no Serviço de Animação Vocacional. Foi assim que fez Jesus. Ele chamou. Começou a Igreja chamando os seus colaboradores, os apóstolos (Lc 6, 12-14). Não devemos esperar que alguém se apresente. Jesus não esperou que os apóstolos se apresentassem. Antecipou-se a eles, chamando-os e escolhendo-os. E quando alguma pessoa se antecipou a Jesus, Ele mesmo não se mostrou muito a favor. Apresentou dificuldades, fez objeções e restrições, acabando por não aceitar consigo, até mesmo, pessoas bem intencionadas (Lc 9, 57-62). Além da prática de Jesus, sirvam também as experiências de nossos dias, em que constam casos frequentes de pessoas que se apresentam e até insistem, mas que não têm capacidade, nem condições para o sacerdócio ou para a vida religiosa. Daí a importância do chamado direto, incisivo, que provoca o jovem ou a jovem para uma participação mais ativa na construção do Reino de Deus.

Mas a quem chamar? É claro que não haveremos de chamar qualquer pessoa para o sacerdócio, para a vida religiosa, para o serviço missionário ou para o serviço da comunidade paroquial. Chamaremos aquelas pessoas que mostram sinais visíveis de vocação. Eis alguns pontos que consideramos sinais de vocação: prontidão para servir os necessitados; engajamento pastoral; espírito de equipe; facilidade em partilhar; amor a Eucaristia e a vida comunitária. Não que estes sinais devam existir todos e já desenvolvidos, alguns estão escondidos e outros devem ser desenvolvidos. Para isso existe a Pastoral Vocacional, os seminários e as casas de formação. Existem para desenvolver os sinais evidentes e despertar os que ainda não aparecem.

Neste trabalho, nenhum batizado deve ficar de fora, pois pela graça do Batismo, formamos juntos a Igreja, Corpo de Cristo, Assembleia dos chamados. Somos assim, responsáveis pelo despertar vocacional de todos os nossos jovens, dando maior atenção as vocações sacerdotais, não que sejam mais importantes, mas, pela carência de tal vocação nas comunidades, muitas vezes privadas da celebração da Eucaristia e dos demais Sacramentos. Portanto, em obediência as palavras do Beato João Paulo II, “nossa missão é chamar, o resto o Senhor fará”.


Pe. Sebastião Luiz de Souza
Reitor do Seminário de Filosofia Papa João XXIII

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